A seguir, uma entrevista com o diretor brasileiro Gustavo Spolidoro, que fala sobre o processo de criação de seu curta-metragem, a experiência de trabalhar com Wim Wenders, entre outros temas relacionados a DE VOLTA AO QUARTO 666 (BACK TO ROOM 666).
1) Quais foram as suas referências para a realização do filme?
A referencia principal é o filme do Wenders que inspira o nosso, o QUARTO 666, rodado em Cannes, durante o festival de 1982. Na verdade nosso trabalho foi de atualizar a proposta criada por ele em 1982, da qual participaram Godard, Herzog, Fassbinder, Spielperg e muitos outros. Aliás, eles também participam do nosso, como hologramas que surgem para retomar a história de 26 anos atrás.
2) Como pode ser definido o seu curta-metragem? Como ele foi estruturado?
Tentamos recriar o ambiente do filme original: um quarto de hotel, com a câmera em plongée (alta) diagonal esquerdo. Poucos móveis, uma cadeira e, no nosso caso, um notebook, ao invés da TV original. Neste notebook, uma cena de QUARTO 666, onde Michelangelo Antonioni antevê o futuro do cinema de alta definição. Wenders comenta essa cena e dali em diante os personagens de seu filme surgem para interagir com ele.
3) Como foi trabalhar com uma personalidade tão singular quanto Wim Wenders?
Toda a equipe estava um pouco tensa. Não tínhamos conversado com ele anteriormente e teríamos muito pouco tempo para fazer o filme, cerca de 30 minutos. Mas ele foi muito educado e solícito, compreendendo e aceitando tudo o que pedimos para ele fazer dentro do espaço cênico em que se encontrava.
4) Em termos de conteúdo geral, o que pode ser aprofundado/discutido para a audiência do filme?
O cinema no século XXI. Em toda a sua profundidade e também superficialidade. Um cinema rápido, ágil, fácil, mas ainda em busca de suas formas.
5) Alguma curiosidade de produção, comentário pessoal do diretor a acrescentar? Alguma coisa ficou diferente do planejado inicialmente?
Na produção, tudo rolou como o previsto. Ele até falou mais do que esperávamos, cerca de 22 minutos, mas isso porque talvez ele tenha levado a sério demais minha "piada" de que o rolo de 16mm do Antonioni tinha 12 minutos e a fita do nosso filme 60...
Mas foi na finalização que o filme ganhou um molho especial, com a proposta do Montador Alfredo Barros de colocar em cena os personagens do filme dele. Esses "seres" trouxeram uma aura profética e ao mesmo tempo fantasmagórica, que encantam e fazem refletir.