A seguir, a diretora gaúcha Camila Gonzatto fala sobre o processo de criação de WHAT ARE YOU LOOKING FOR?, a experiência de trabalhar com Philip Glass, entre outros temas relacionados.
1) Quais foram as suas referências para a realização do filme?
As referências mais imediatas para esse projeto foram: Limite, de Mario Peixoto, e Nelson Freire, de João Moreira Salles. Vi também o documentário Certas Dúvidas de William Kentridge, realizado pela Associação Cultural Videobrasil.
Uma das coisas fundamentais do projeto foi a pesquisa. Além de ler várias entrevistas com Philip Glass que eu achei na internet, eu li um livro de escritos sobre ele e assisti ao documentário Looking Glass. Entrar no mundo da pessoa com quem se vai trabalhar é fundamental. Nessa fase de pesquisas também tive várias conversas com o Jaílton Moreira, meu professor de artes visuais, e uma conversa com o músico Fernando Mattos.
2) Como pode ser definido o seu curta-metragem? Como ele foi estruturado?
A proposta da produção era fazer um "ensaio visual". Eu segui essa linha, procurando encontrar e criar imagens que pudessem funcionar como metáforas da sonoridade e, de alguma maneira, da estrutura da música de Philip Glass. A entrevista também seguiu nessa direção. Ela foi conduzida no sentido de entendermos o que o artista pensa sobre a própria música e o ato de fazer.
3) Como foi trabalhar com Philip Glass?
Quando o Philip Glass chegou, toda a equipe estava pronta e afinada. Ele foi muito gentil, inclusive tocando uma música que eu pedi, a Metamorphosis 1, que foi usada como trilha do vídeo. Além disso, mostrou disposição ao caminhar várias vezes até o palco e ao responder as perguntas. De maneira geral, posso dizer que conhecê-lo foi uma experiência cheia de aprendizado.
4) Em termos de conteúdo geral, o que pode ser aprofundado/discutido para a audiência do filme?
O filme nos mostra um ponto de vista sobre a música, de um artista que tem uma contribuição incrível a música feita na atualidade. Creio que a partir dele, pode-se discutir vários outros caminhos.
5) Alguma curiosidade de produção, comentário pessoal do diretor a acrescentar? Alguma coisa ficou diferente do planejado inicialmente?
Optei por trabalhar, além do HD (vídeo de alta resolução), com super 8 (película). A idéia era buscar uma textura diferente para as mesmas imagens, um pouco como a própria música de Glass, que trabalha com a repetição, mas uma repetição que nunca é igual, sempre com alguma coisa diferente.